GREVE- Ato organizado pela Asprom-Sindical interditou a av. Brasil,
em frente à sede do Governo do Estado.
Foi deflagrada por volta das 8h50 desta quinta-feira (22),
em Manaus, uma greve geral com cerca de 6 mil professores da rede estadual de
ensino do Amazonas. A deflagração ocorreu durante um protesto em frente à sede
do Governo do Estado, que interditou a avenida Brasil, bairro Compensa, Zona
Oeste.
Até as 8h50 de hoje, segundo os organizadores do Sindicato
dos Professores e Pedagogos de Manaus (Asprom-Sindical), cerca de 6 mil
profissionais da Educação estavam no local. O Sindicato dos Trabalhadores de
Educação do Amazonas (Sinteam), entidade que representa legalmente a categoria
no Estado, ainda planeja uma assembleia para hoje.
Durante o ato, a diretora geral do Asprom, Helma Sampaio,
falou da necessidade de deflagrar a greve. "Estamos instaurando a greve
dos professores neste dia histórico, por tempo indeterminado. Algumas pessoas
falaram que não somos unidos, mas hoje estamos mostrando o contrário. Quero
deixar claro que não estamos felizes em instaurar esta greve, mas estamos
batalhando pela educação do Estado", disse a representante da Asprom.
Helma também destacou que a categoria tentou conversar com a
Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e o Governo do Estado para que a greve
não fosse instaurada, mas sem sucesso. "Buscamos o diálogo, mas não fomos
atendidos. Eles insistem em conversar com o Sinteam, mas este sindicato não vai
evitar a greve", explicou.
Conforme o Asprom, professores de Manaus devem aderir o
movimento em 100%. A paralisação deve atingir também 40 municípios do Amazonas.
O professor de Geografia Mackson Azevedo, que atua na Escola
Estadual Sebastião Augusto, localizada na Zona Norte de Manaus, afirmou que a
categoria não está conseguindo sobreviver com o salário oferecido pelo Governo
do Estado. “Só volto para a sala de aula quando o governo atender às nossas
reivindicações. Este é um momento histórico porque a classe trabalhadora da
educação veio para as ruas. Não estamos mais conseguindo sobreviver com esses
salários. Ficamos aguentando durante todos esses anos, mas agora é o estopim”,
disse o professor.
A pedagoga Solange Vanderlei, que leciona na Escola Reinaldo
Tompson, na Zona Leste, comentou que os profissionais de educação do Amazonas
precisam ser valorizados. “Hoje uma mãe me questionou sobre o meu amor pela
educação. Falei para ela que tinha amor pelo que faço, por isso que estou
manifestando na rua. Estamos cansados, queremos ser valorizados. Hoje
precisamos trabalhar em três empregos para receber um salário digno”, afirmou.
O professor de Língua Portuguesa Jair Brandão, que atua na
Escola Presidente Costa Silva, do município de Anori, também compareceu ao ato.
Ele destacou que as escolas do interior do Amazonas estão totalmente paradas.
“Paralisamos as atividades nas escolas de Anori. Alguns professores vieram
representar a categoria, mas outros ficaram. Estamos lutando pelo nosso
reajuste, porque trabalhar com esse valor é totalmente desestimulante”,
completou.
Reivindicações
Desde a semana passada, os professores da rede estadual de
ensino do Amazonas fazem paralisações e atos de protesto em escolas de Manaus e
do interior do Estado. Eles exigem reajuste salarial de 30% e mais 5% real de
salário, totalizando um índice de 35%. Além disso, a categoria busca manutenção
do plano de saúde, que foi cortado para parte deles, e vale alimentação.
No início da semana, o Governo do Amazonas propôs pagar a
data base da categoria de 2017 no percentual de 4,57%, o que foi rechaçado
pelos professores. Também foi oferecido aumento em R$ 200 do vale-alimentação
dos docentes em sala de aula, totalizando R$ 420; promoções verticais de 3.516
professores que concluíram títulos de graduação; extinção da taxa de 6% do
vale-transporte; e auxílio localidade de R$ 30 para R$ 200, e até R$ 1 mil
dependendo da distância em casos de professores que trabalham.
Fonte: acrítica.com





